Sábado, 12 de Janeiro de 2008

O Indizível

Nas impossibilidades a que se me sucede depor, escassas são aquelas, de tão resignada absolutez, como a condição impraticável do homem em permanecer em silêncio.

 

Diferentes índoles de silêncio atemorizam a cadência do indivíduo: o silêncio do mundo, o silêncio dos próximos, o silêncio dos eventos, da casualidade e da Fortuna – não obstante as duras provas por eles infligidas, todos eles: silêncios suportáveis (humanamente).

 

Apenas um, conheço, sem que no entanto me sinta por ele vetado ou coagido, que será praticamente inimputável à raça humana: o silêncio próprio. Que digo? Próprio? – como, se a maior centelha da colheita das reflexões se recolhe no profundo sigilo da voz ou da manifestação pessoal? A omissão da voz não abafa o insossegável espírito. Esse, conversa ininterruptamente, em ultima instância, num monólogo consigo mesmo.

 

Mesmo os mimados eremitas, forjados na teima insensata do pleno retiro das funções civis, contém e encerram em si o veneno inestancável que coagula o interior ao secreto diálogo íntimo.

 

Sob diferentes jugos e injunções, a voz impugnada, se acabrunha e cora, retirando-se aos aposentos mudos de princesa desvirginada. Ah, mas o coração petulante e excitado não se emudece, pelo contrário, nele se relegam os impropérios e lascivas volúpias, que tal boquita delicada não se atreveria a proferir. Profere-os o corpo. A alma.

 

Por isso a alienação, não é necessariamente (se não for de todo) um manifesto de inefabilidade ou falta de algo a dizer ao mundo. Como alguém escreveu:

 

“O silêncio por vezes fala mais do que o caudal de palavras.”

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publicado por sofisma às 11:53
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