Terça-feira, 15 de Janeiro de 2008

Ubiquidade Estética

Interessante como segundo Marcuse, é praticável um rastreio abrangedor de uma dimensão estética verificável e espectável inequivocamente em qualquer obra de qualquer esteira ou âmbito; isto porque, infirma ele, há uma comprobabilidade de um certo elemento ou agente estético indissociável de qualquer autêntica obra artística, sendo que, nela podemos encontrar, ingénitamente e de forma arquitectada primitiva, a procura transcendental, a ruptura, intromissão, incisão social e o descontentamento e ênfase existencial. Um Josef K kafkiano, é presumivelmente associável a um Winston orwelliano, sem que nessa concorrência disjuntiva e incursiva, se denunciem estilos, facções temporais, maneirismos romantescos, etc, que de facto desvirtuem uma procura análoga nas duas partes,...

Assinalável!
publicado por sofisma às 23:56
link do post | comentar | favorito
Sábado, 12 de Janeiro de 2008

...

publicado por sofisma às 12:03
link do post | comentar | ver comentários (1) | favorito

O Indizível

Nas impossibilidades a que se me sucede depor, escassas são aquelas, de tão resignada absolutez, como a condição impraticável do homem em permanecer em silêncio.

 

Diferentes índoles de silêncio atemorizam a cadência do indivíduo: o silêncio do mundo, o silêncio dos próximos, o silêncio dos eventos, da casualidade e da Fortuna – não obstante as duras provas por eles infligidas, todos eles: silêncios suportáveis (humanamente).

 

Apenas um, conheço, sem que no entanto me sinta por ele vetado ou coagido, que será praticamente inimputável à raça humana: o silêncio próprio. Que digo? Próprio? – como, se a maior centelha da colheita das reflexões se recolhe no profundo sigilo da voz ou da manifestação pessoal? A omissão da voz não abafa o insossegável espírito. Esse, conversa ininterruptamente, em ultima instância, num monólogo consigo mesmo.

 

Mesmo os mimados eremitas, forjados na teima insensata do pleno retiro das funções civis, contém e encerram em si o veneno inestancável que coagula o interior ao secreto diálogo íntimo.

 

Sob diferentes jugos e injunções, a voz impugnada, se acabrunha e cora, retirando-se aos aposentos mudos de princesa desvirginada. Ah, mas o coração petulante e excitado não se emudece, pelo contrário, nele se relegam os impropérios e lascivas volúpias, que tal boquita delicada não se atreveria a proferir. Profere-os o corpo. A alma.

 

Por isso a alienação, não é necessariamente (se não for de todo) um manifesto de inefabilidade ou falta de algo a dizer ao mundo. Como alguém escreveu:

 

“O silêncio por vezes fala mais do que o caudal de palavras.”

tags:
publicado por sofisma às 11:53
link do post | comentar | ver comentários (1) | favorito
Segunda-feira, 7 de Janeiro de 2008

Fedra

É-me incontrolável; perdão, desculpo-me injustificadamente, o paliativo do dever, da ordem, da imperativa providência que rege e mandata, por vezes baixa a guarda; nesses raros instantes, em que as incursões do espírito humano me acometem, envergo o inato fôlego da vontade de expressão – desta feita, catalizada pela comoção presente.

 

Que escrever no emaranhado de palavras? Corro o previsível risco de me perder, como já é habitual nas minhas exegeses redactoras e delatoras do meu embaraço objectivo. Mas tinha de escrever, é emergente, é premente, incorro em todas a insensatezes que me recordo, porém tinha, a lágrima exige-mo. Bom, não me perdendo na dimensão das palavras, o que procuro registar desta feita, é comparável ao que o impressionista procura na azáfama da luz descombinada ou o que Büchner tão deliciosamente relata; o seu desejo de ser tornar por instantes medusa e apreender, ou por outra, perpetuar em pedra determinado instante irrepetível e irreconciliável com a ligeireza do tempo. Pois também eu, me outorgo esta vontade e desejo de me fundir com o presente momento, em que escrevo concessões da respiração do interior.

 

A reincidente impugnação de responsabilidade à incompetência das palavras, na verdade, relegando a minha falta destreza ao palavreado. Enfim, desisto. Apenas eu compreendo a tragédia que é estar vivo e ter olhos; pois eles vêem melhor do que alguma vez serei capaz; eles não ponderam, antes de escreverem em linhas obtusas o que observam, gravam retinalmente, o que acontece. Perdi-me, subscrevo-me à paisagem que parte também diletantemente, infundo-me nela, insucedidamente…Perdão.

música: Wish You Were Here-Pink Floyd
tags:
publicado por sofisma às 02:06
link do post | comentar | favorito
Quarta-feira, 2 de Janeiro de 2008

Despontar

Despontar
 ------------------------------------------------------------------------

Demasiadamente depressa partiste. Um adeus mudo conservaste. Lamentavelmente, a palavra é agora obsoleta, irrisória e estoicamente indesejável. A ordem regiamente implacável das coisas afasta-te de nós e enevoa-te, envolto num véu de reminiscência. Uma vez mais se repete este processo penoso e exasperante que é ver alguém partir. A precocidade alia-se ao peso atroz da perda, baloiçando levemente na impotência que se espreguiça no rosto do espírito magoado. Acomete-se à progenitura, a dor abreviada e pungente; sub-repticiamente, uma cadente melodia vaga se impõe no passejamento; um misto de tacitez e estupefacção pela sátira dos acontecimentos invade a mais frágil ou assaz vontade em viver. Ao legado, o abandono de quem parte é como uma forma que se esfumaça do céu, cientes os parentes da impossibilidade de reencontro ou reavência de tal efígie.

A morte, é um estado dicotómico de surpresa e nostalgia; um estado de revivência; paulatinamente, a fausto custo, a chaga da ausência cicatriza-se e encontra nas singelezas mundividentes a escatologia de alma conveniente; mas a redenção faz-se esperar, em boa verdade, nunca se consuma de todo; diz-se que o vazio se preenche com amor, mas, num coração repleto de vacuísmo nada mais cabe do que nada; apenas na compleitude plena de um espírito sobejo, há espaço para mais amor.

O luto, além de escolástico e ritual, é também uma condição pós-óbito, uma idiossincrasia pós-fúnebre, independente e singular que poderá divergir entre relutância e resiliência ou aceitação aparente e magoada; mas não, o espaço não se coaduna nem se preenche como brechas que o vento fustiga de vagidos; com o tempo, aprendemos a sarar os desenganos e a preparar com o conhecimento de causa, os unguentos caseiros do espírito; com o tempo, ensinamo-nos a coexistir tolerantemente com a marca, com o estigma; ignorá-lo é sofrer duplamente.

Conservar o que o viajante fez de bom, teve de bom ou era de bom? Nenhum dos três. Conservar por conseguinte, assevero, o que em nós o viajante era de bom, preterindo e olvidando a hipótese de ser ou não; algo nele era irrepetível e próprio; algo nele e com ele juntamente, vivemos ou acreditamos ter vivido: é pois essa réstia que conservo felizmente; o pó nas asas da borboleta que parte e que restituo à composição do cosmos (a que pertenço).

Até sempre Pedro*



Guilherme 2 de Janeiro de 2008
sinto-me: Desolado
música: Bolero-Ravel
tags:
publicado por sofisma às 21:55
link do post | comentar | favorito

.Profile

.pesquisar

 

.Junho 2011

Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab

1
2
3
4

5
6
7
8
9
10
11

12
13
14
15
16
17
18

19
20
21
22
23
24
25

26
27
28
29
30


.Posts

. A Árvore da Vida

. Matéria

. Jonathan Livingston Seagu...

. Wasabi, a coisa verde que...

. The Beginning Is the End...

. Transcendência

. Sofrer

. My Blueberry Nights

. Desespero

. U2 - The Sweetest Thing

.Arquivos

. Junho 2011

. Novembro 2010

. Outubro 2009

. Maio 2009

. Janeiro 2009

. Dezembro 2008

. Novembro 2008

. Outubro 2008

. Setembro 2008

. Julho 2008

. Abril 2008

. Março 2008

. Fevereiro 2008

. Janeiro 2008

. Dezembro 2007

. Novembro 2007

. Outubro 2007

. Setembro 2007

. Julho 2007

. Junho 2007

. Maio 2007

. Abril 2007

.tags

. ensaio(8)

. citações(7)

. crónica(6)

. apontamento(3)

. dissertação(3)

. poema(2)

. video(2)

. conto(1)

. todas as tags

.as minhas fotos

blogs SAPO

.subscrever feeds