O Pêndulo de Focault//Manifesto#1//Cifras de Sésamo#
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É com inconcretude e incredulidade que encaro a ética no design, ou, design-ético – (semântica à parte) não invalidando os pressupostos que o governam – admitindo por ético, o seu conteúdo tricéfalo: ética da difusão, ética da recepção e ética ego-senso-socio-organizadora.
Não acredito numa deontologia imperativa kantiana no design. Não podemos deter a complexidade, senão trabalhar com ela. Acontece na moral uma amoralidade tremenda quando ignoradas as implicações da complexidade ética. Nela, concorrem uma colectividade conflituosa de enredos: ética do individuo, ética grupal (o seu envolvente próximo) e ética social. É certo que na prática estabelecida e fundamentada do design, o briefing, a metodologia ou os códigos que julgam e medeiam o processo gerador, acorrem como agentes que igualmente o administram – todavia, encaro este vínculo, este “Es muss sein” (“Tem de ser”), como um instrumento que opera na entropia, na incerteza e no desvio.
Não me arrogo anti-ético, tão pouco niilista ou utópico anárquico – salvaguardo uma antropo-ética. Aquela que não reitere o homem ao estatuto coercivo e estanque do predestinado. A que não incorra na auto-falência, ao desvanecer-se no hiato entre o propósito e o resultado. Uma ética que labore no epicentro vivo, que se reformule, reelabore e acima de tudo: se transcenda quando lhe assim é pedido. Uma meta-ética. Voltada não em demanda de uma cura social, mas da sua terapia auto-didacta.
“O Homem é a coisa singular mais útil para o Homem.” ESPINOZA, Baruch de
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