Segunda-feira, 8 de Outubro de 2007

La Monnaie de L’Absolut | A Moeda do Absoluto

reflexão | técnicas oficinais | guilherme gomes | esad

 

 

3 Parte | Histórias do Cinema II

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La Monnaie de L’Absolut | A Moeda do Absoluto

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“Then I despair... I remember that all through history, the way of truth and love has always won. There have been murderers and tyrants, and for a time they can seem invincible. But in the end they always fall. Think of it always.”

 

MALRAUX, Andre

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Não foi num acesso casual que optei por iniciar esta dissertação com uma epígrafe; designadamente, de Malraux. Bem como, não é circunstancial a consequente tónica crítica; e neste concreto caso, política; no crescendo da narrativa de Godard. Se num primeiro momento, somos confrontados com uma gramática articulativa: desencadeada e torrencial, com pouco consentimento cronológico e uma trama caótica, desordenada e balburdiosa; é nos rematada, de forma concisa e exígua, uma mensagem definida e escrupulosa – a de que o Cinema como o Mundo – depende da História.

 

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“Assassine-se um povo. Onde? Na Europa. Este facto tem testemunhas? Uma testemunha: O Mundo inteiro. Os governos vêem-no? Não! A civilização está nos povos. A barbárie está nos governos. Bastaria um gesto dos governos da Europa para o impedir.”

HUGO, Victor

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Entendo que neste episódio estrito, Godard levanta duas grandes problemáticas que, retratam não somente o panorama afecto à Arte e às correntes e manifestos líricos, mas também a toda a paisagem social, política e histórica de uma viragem sangrenta, como foi a Segunda Guerra Mundial. Em certa medida, estas duas decorrências, comprovam a ideia colmatada, desde do início da narrativa, do cinema como um barómetro do contexto próprio que o reveste; o cinema como interlocutor bifurcado: com um tanto de objectivo e vetado de pretensões ou segundos propósitos, e, um tanto de subtil e intrincado jogo de sentidos e significados; em ambos os casos, o cinema, como a moda e como a História, funciona como um aparelho ponderador dos acontecimentos. O cinema como Máquina de costumes.

 

As duas problemáticas são pois: A Morte do Cinema, com a crescente americanização e mediatização deste; o cinema como montra dos Tempos.

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“O que é o cinema? Nada. Que quer ele? Tudo. Que pode ele? Qualquer coisa.”

GODARD,Jean-Luc

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O cinema é tudo, e por devir, é também nada. Godard, numa têmpera mais pessimista e desalentada, dealba sobre o fluxo da História, que acompanha de mão dada o cinema. Mas, mais do que questionar a essência, a concepção do cinema, pergunto-me, qual o destino do cinema. Os meios Media? Um cinema de bolso? – a anunciação da morte do cinema, não me parece tão repleta de inconsistência. E creio ser esta a temática da moeda do Absoluto. Porque, o absoluto é uma potência atingível ou ascendente; mas, assim como o cinema pode ascender a um absoluto (“Que pode ele? Qualquer coisa.”), pode também, no diâmetro oposto, nada ser. Simplificando. Qual a diferença entre o cinema a cores e o cinema a preto e branco? – “O cinema a cores é mais real, mas o cinema a preto e branco é mais realista.” – Wim Wenders. Qual a diferença entre o cinema interventivo e o cinema coloquial? – simples escolhas.

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"Une pensée qui forme. Une forme qui pense"

 

GODARD,Jean-Luc

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Para terminar, gostava de expor uma ideia, ou antes, um antagonismo numa analogia da poesia à resistance.

O cinema, contrariamente à poesia, não intervém, expõe. Entende-se por resistência, não apenas um agastamento interposto ou inflectido contra um acontecimento, como uma guerra, ou qualquer ocasião que despolete um agravamento ou manifesto, mas, também, uma interposição face a uma ideologia; neste caso concreto da narrativa de Godard, a americanização, mercantilização e uniformização do cinema. Segundo ele, o cinema francês não obteve, por quaisquer óbices que desconheço, a esperada intervenção fervorosa como o cinema italiano; e por isso, sem nunca abandonar o jogo de sentido, Godard termina aludindo ao filme “Roma Città Aberta”, de Roberto Rossellini, um cineasta neo-realista italiano, ao som de uma música de Cocciante. Expressando assim, a profunda admiração para com a nova vaga (Nouvelle Vague) do cinema póstumo.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Reflexão levada a cabo por Guilherme Gomes, ESAD, 2007

 

sinto-me: Cansado
música: Ne me quitte pas-Jacques Brel
publicado por sofisma às 01:13
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