Sábado, 11 de Outubro de 2008

O Albatroz

                                       

                                             II

                                O ALBATROZ

 

Por mera brincadeira, os homens de equipagem

Caçam enormes aves do mar, albatrozes

Que, indolentes, costumam seguir a viagem

Do navio percorrendo abismos tenebrosos.

 

Assim que sobre aquelas tábuas são largados

Os reis do céu azul, envergonhados, trôpegos,

Deixam cair, humildes, as imensas asas,

Que arrastam pelo chão, como remos já soltos.

 

Como está mole e frouxo o alado peregrino!

Ele, que tão belo foi, ei-lo cómico e feio!

Um espicaça-lhe o bico, usando o seu cachimbo,

E um outro, coxeando, imita o pobre enfermo!

 

O poeta é igual ao príncipe das nuvens

Que se ri do arqueiro e afronta a tempestade;

Exilado na terra e no meio dos apupos,

As asas de gigante impedem-no de andar.

 

in, "As Flores do Mal", BAUDELAIRE, Charles, Assírio e Alvim

publicado por sofisma às 16:20
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