Sábado, 11 de Outubro de 2008

Zaratustra Perdido

 

 Acumulo sem consenso, um desespero, desapossado, nas profundezas incautas de um lago negro. Ímpassível ao luto que sorvo a tragos secos, afundo assim ferido.

 

O gargalo cede e o vasilhame que antes fora a beberagem etimológica do meu sustento, balbucia, como o afogado desistente. Sucumbo, David, ao teu mutismo. O fio da navalha onde danço criva-me os pés – corte imperceptível e nefasto do papel irrecorrível que fora o teu ensinamento.

 

Desprendo os braços, alamedas antípodas feitas de gesso que tombam, fatigadas, como membros trôpegos, artérias rentes, ora à vertigem, ora ao chamamento do teu acudir,  ao outro que esbraceja, ainda,  na promessa do retorno à superfície.

 

 Volta David.

 

*

publicado por sofisma às 12:58
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1 comentário:
De violeta13 a 11 de Outubro de 2008 às 19:19
tomo a liberdade de tratar-te por tu porque me emocionaste e, como tal, não faz sentido que de outro modo te trate, mesmo sem conhecer-te.

que bem escreves!

que volte!


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