Segunda-feira, 18 de Fevereiro de 2008

Altruísmo?

“Design was in danger of forgetting its responsability to struggle for a better life for all.”

 

Rick Poynor

 

Quanto de contingência utópica poderá haver neste axioma?

Pergunto-me, ou antes, inquiro e delato incredulamente: existe de facto este comportamento? Não que seja céptico, acético ou cínico ao ponto de recalcitrar esta questão, ela, fiapos de tecitura urdida à feição dos revés e avantes da cultura e lucidez sociológica, psicológica e tantas outras logias.

 

O pendão da sociedade e de dívida que consignamos por pertencermos à sua progenitura, em nos retractarmos num compromisso comunitário e colectivo -  é um anátema que suportamos pela aceitação enquanto indivíduos.

 

Não condeno a filantropia ou o altruísmo, apenas os contemplo como incomensuráveis. É um facto que no plasma das grandes civilizações, dos grandes zoológicos hegemónicos na orla humana, todo e qualquer ente, combate, disputa e debate-se em confronto directo ou indirecto, em função de um desígnio de melhoramento, e renovamento e evolução; o que coloco em conflito, é o pressuposto de que essa “luta” reverte a favor de um comensalismo comum; a dádiva de um homem com outro, é um sofisma, um logro. Inevitavelmente, aviltamos lucro ou dividendo. Altruísmo? Sim, o recíproco; o mesmo que encontramos na relações e interacções entre os morcegos vampiros, em que, o mutualismo recíproco que os coliga, os interrelaciona numa troca de garantia e mais-valia, num penhoramento de um valor que sabem ser restituído.

 

O Homem, quando se mata, forja uma imagem de si, e portanto, mata-se para viver; o designer, embora sobre a gleba mais ou menos coerciva no seu trabalho, da sociedade, constrói uma conjectura, uma caixa de tesouros retorcidos de mérito, reconhecimento e conquista prestigiante – não o julgo, não sou menos.

 

Lamento comprovar que, a escatologia dos dandy’s e flâneurs sucumbiu num fim comercial quotidiano. Mas, mesmo eles seriam o perfil do artista anónimo, do homem-mundo, que perfaz uma total desvinculação da vinheta do brio, que não o do seu trabalho?

 

A verdade é que não sei, apenas volvo seixos que me incomodam os pés, e nos quais, o sol dos tempos reflecte inquietantes questões.

publicado por sofisma às 23:38
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