Quarta-feira, 16 de Janeiro de 2008

Desenho

“Painting is just another way of keeping a diary”

Pablo Picasso

Compreender a fulcralidade do desenho, a sua predominância genérica e a sua génese, implica recuar na cronologia, conhecer o seu contributo na formação cultural, visual e corpórea do Homem. Etimologicamente, “desenho” deriva do termo latino designu, com significado ambivalente, denota “desenhar” ou “designar”. Entende-se por desenho, o acto de legar vestígios e resíduos de gestos feitos com a mão, numa superfície consignável. Numa análise conceptual, o desenho, surge como um acto de expressão, um pensamento transposto por estímulos neuronais do cérebro para o corpo, tendo os olhos como intermediário.
O desenho foi o primevo modo de comunicação e consequente identificação. O Homem, ser visual por excelência, perscruta e analisa o real apreendendo incentivos gráficos visuais, que o cérebro interpreta como representações, como signos, como imagens. Marcas territoriais, naturais e geográficas, contribuíram para a formação expressiva do Homem, começando este por criar registos, que não são mais do que produtos da consciência, em superfícies, originando o diálogo Objecto/Desenho, tendo como intérprete, o cérebro, como litografo, o gesto, e intermediário, o olhar. Estes vestígios e legados gráficos, são um objecto divulgativo e representativo, evoluindo e divergindo conforme o arquitecto gráfico, mas unânimes no uníssono da percepção universal.
Desenhar foi e será um alicerce ancestral do carácter Humano, além de um registo é uma análise, uma errância, uma indagação da mente. Penso que o acto de desenhar é mais apoteótico, mais verosímil e íntegro do que qualquer imagem simulada; o risco, o traço é dissecante, investigador, a essência de um objecto é mais genuína e vernácula num esboço que numa representação digital. Após esta dissertação, penso que a fulcralidade do desenho, em qualquer área do design, é dedutível. O design percorre o ecletismo, a interdisciplinaridade, a generalidade do absoluto, criando edificações plurais, dirigidas à formação de mentalidades e análise de realidades. O desenho é um promotor, um veículo da análise, incorre como motorizador da descoberta, da averiguação, da imaginação e da criação. A ponte entre a mente e a realidade objectiva é o designar, o pensar, o desenhar. O desenho é apenas mais uma forma de reflexão, o esvair da alma num gesto, uma sinapse num risco, um traço de memória, um garatujar da consciência indeclarável, um prolongamento do limitado símio que não admitimos ser, os temas mudam, mas a génese é imutável.
Nas palavras de Alberti “ Desenho um Quadrado […] o qual imagino ser uma janela aberta, através da qual olho aquilo que depois será pintado”
Encaremos o desenho como um “esboço” permissivo, uma antecedência de algo, indefinível, inefável.

“ Vamos encontrar um tesouro naquela casa…mas não existe casa alguma…então vamos construí-la” Irmãos Marx
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publicado por sofisma às 00:33
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1 comentário:
De WWW.aca.com.sapo.pt a 16 de Janeiro de 2008 às 17:07
Pode não ter nada a ver com o assunto aqui tratado, mas porque a cultura é um “bem” importantíssimo a defender, convido-vos a participarem nos VI Jogos Florais de Avis, que já são uma referência no panorama cultural português. Sendo uma iniciativa da Amigos do Concelho de Aviz-Associação Cultural, o regulamento está disponível em www.aca.com.sapo.pt
Concorram e boa sorte.
Saudações culturais.
P’la ACA,
Fernando Máximo!



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